Segundo semestre exige planejamento: o que empresas devem fazer agora para fechar o ano com saúde financeira

A chegada da segunda metade do ano marca um momento estratégico para as empresas. Além de acompanhar os resultados dos primeiros meses, este é o período ideal para organizar as finanças, revisar processos e antecipar decisões que podem fazer a diferença no fechamento do exercício. Para o Product Owner da Elevor Felipe Taparello, quem deixa o planejamento para dezembro corre mais riscos de enfrentar problemas de caixa, inconsistências fiscais e custos desnecessários.

Segundo ele, para garantir a saúde financeira e um fechamento de exercício sem surpresas, as empresas devem focar em três pilares: saneamento de dados e conciliação; projeção de fluxo de caixa; e revisão do planejamento tributário atual. Conforme Felipe, o maior gargalo do fim do ano é acumular meses de conciliação bancária e fiscal pendente. “A prioridade número um deve ser colocar a casa em ordem mensalmente, garantindo que o fluxo de caixa reflita a realidade”, ensina.

Em relação ao fluxo de caixa, o especialista alerta que o último trimestre costuma trazer despesas sazonais pesadas, como o pagamento de 13º salário, férias de funcionários e renovações de contratos, por isso, é preciso provisionar esses valores desde já para evitar crises de liquidez em dezembro. Por fim, ele lembra que a necessidade de avaliar se o regime tributário escolhido no início do ano – Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real – ainda faz sentido com o faturamento acumulado, preparando o terreno para possíveis mudanças em janeiro.

Atenção às obrigações fiscais

Entre julho e dezembro, as empresas também precisam redobrar os cuidados com as obrigações fiscais e tributárias. De acordo com Taparello, é comum que esse período concentre prazos relacionados a declarações como Speds e eSocial, além dos preparativos para a virada do ano fiscal.

Entre os erros mais frequentes apontados por ele estão a demora no envio de documentos para a contabilidade, divergências entre o estoque físico e o registrado nos sistemas e a dependência de planilhas para cálculos tributários. “Não automatizar processos e depender de planilhas manuais para calcular impostos complexos aumenta a margem de erro humano drasticamente”, alerta.

É por isso que, tomar decisões seguras e encerrar o ano de forma equilibrada, alguns indicadores financeiros devem ser acompanhados de perto. A margem de contribuição ajuda a identificar se as vendas de fim de ano estão realmente cobrindo os custos e gerando lucro, e não apenas volume de caixa, já em períodos de aperto econômico, monitorar o tempo que os clientes levam para pagar é vital para evitar furos no caixa.

Outro indicador importante apontado por Felipe é o índice de inadimplência. “Historicamente, o fim do ano pode apresentar oscilações na inadimplência. Por isso, detectar este comportamento cedo permite renegociar prazos antes que vire um problema”, explica.

Planejamento reduz riscos e amplia oportunidades

Para o especialista, um planejamento ativo neste momento no fim deste primeiro semestre funciona como um “escudo” para o fechamento do ano. Na prática, a empresa deixa de ser reativa e passa a ser preditiva. Dessa forma, consegue, entre outras coisas, reduzir o custo tributário, identificando a possibilidade de creditamento de impostos pagos a maior ou aplicando incentivos fiscais antes do encerramento do exercício.

Ainda, entre os principais ganhos estão a redução de riscos de autuações por meio da revisão preventiva dos processos internos e uma maior previsibilidade sobre a disponibilidade de caixa para investimentos, contratações e expansão no início do próximo ano. “Saber exatamente quanto vai sobrar em caixa permite planejar contratações ou compra de equipamentos para o início do próximo ano com pé no chão”, frisa.

Ainda dá tempo de reorganizar

Mesmo para quem não conseguiu manter o planejamento ao longo do primeiro semestre, Taparello garante que sim, ainda dá tempo de recuperar o controle da gestão financeira. “O pior erro é a paralisação por culpa. Se o primeiro semestre foi caótico, o foco agora deve ser na objetividade”, alerta.

A recomendação é começar com um diagnóstico completo da situação atual da empresa, levantando o saldo real das contas a pagar, das contas a receber e do estoque. Em seguida, é importante eliminar gastos que não sejam essenciais para a operação e avaliar a adoção de um sistema de gestão integrado, capaz de automatizar processos e reduzir erros.

Por fim, Taparello reforça que o contador deve atuar como parceiro estratégico nesse momento. “O contador não deve ser visto apenas como quem emite guias de impostos, mas como um consultor estratégico. Sentar com ele agora para desenhar um plano de emergência para o fechamento do ano é crucial”, finaliza.

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